Recentemente ocorreu o comité de investimento do Banco Best, onde foram analisados os acontecimentos económicos mais recentes e definida a visão sobre as diferentes classes de ativos de investimento.
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Mantemos uma posição neutra em liquidez, pois continua a oferecer estabilidade e rendimento num contexto de volatilidade intermitente.
Os investimentos alternativos continuam a desempenhar um papel relevante na diversificação. O ouro mantém-se atrativo como ativo de refúgio, enquanto infraestruturas e ativos reais beneficiam de temas estruturais como a transição energética e a digitalização.
Preferimos uma abordagem prudente, com duration controlada e foco em qualidade. Investment grade mantém-se como a principal fonte de rendimento estável, enquanto High Yield continua menos atrativo face ao binómio risco-retorno. A dívida emergente permanece interessante, suportada por yields reais elevadas e dólar mais fraco.
Num enquadramento favorável, privilegiamos uma diversificação regional que beneficie de valorizações mais atrativas e motores de crescimento diferenciados, aumentando, para tal, a exposição à Europa e a mercados desenvolvidos fora dos EUA e a Europa. Mantemos o posicionamento neutral a ações dos EUA e a sobre-exposição a ações dos mercados emergentes.
Estados Unidos: A economia norte-americana mantém
um cenário de crescimento sólido, ainda que com sinais
de fragilidade no mercado de trabalho e no consumo, com
impacto mais sentido pelos consumidores de rendimento
médio e baixo. Com a inflação a mostrar sinais mistos, o
Fed mantém, para já, uma postura de espera. O mercado
antecipa ainda dois cortes de taxas em 2026. Persistem
riscos associados às tarifas, ao endividamento e à
incerteza política.
Zona Euro: Na Zona Euro, o crescimento
surpreendeu positivamente em 2025 e deverá manter se
sustentado em 2026, ainda que em níveis contidos,
beneficiando de uma política orçamental expansionista,
em particular na Alemanha. Subsistem riscos estruturais
e geopolíticos. Apesar de uma inflação abaixo da meta, o
BCE deve manter os juros inalterados.
Riscos globais: As tensões geopolíticas, o
aumento do endividamento público e empresarial e os
impactos das tarifas continuam a representar riscos
relevantes. A volatilidade deverá manter se elevada,
reforçando a importância da diversificação.
Mercados em Rotação: O enquadramento
macroeconómico mantém-se construtivo, com crescimento,
inflação e resultados empresariais a suportarem uma
postura de risco moderado. Apesar de um ambiente
aparentemente calmo, coexistem sinais divergentes nos
mercados, o que tem originado rotações entre regiões,
setores e estilos, reforçando a importância da
diversificação.
Ações: O foco na Inteligência Artificial entra
numa fase de maior seletividade, com distinção clara
entre vencedores e perdedores. Observa-se uma rotação
para fora dos EUA, beneficiando outras regiões e estilos
mais expostos a valorizações atrativas, num contexto de
um dólar mais fraco e maior procura por diversificação.
Obrigações: Nos mercados obrigacionistas, as
yields mantêm-se relativamente estáveis, com o Fed e o
BCE a adotarem uma postura cautelosa. As obrigações
continuam a desempenhar um papel estabilizador nas
carteiras, com preferência por crédito de qualidade,
enquanto a dívida emergente beneficia de yields
atrativas e do enfraquecimento do dólar.
Disrupção da IA, Tarifas e Tensões Geopolíticas impactam no Mercado
Para que não perca de vista o que de mais importante se passou neste mês, destacamos de forma sucinta os principais acontecimentos que marcaram a economia global e os mercados financeiros.
Escalada da guerra no Médio Oriente: ataques dos EUA e de Israel ao Irão a 28 de fevereiro, motivarem ataques retaliatórios do Irão contra Israel, bases militares EUA e países seus aliados.
Supremo Tribunal EUA: declarou ilegais as tarifas anunciadas em abril 25. Trump respondeu com uma nova tarifa global de 10% a acrescer às já em vigor.
Japão: o partido que suporta o governo venceu as eleições legislativas (alcançou 352 dos 465 lugares).
Excecionalismo dos EUA?
O seu fim saiu reforçado em fevereiro. Um
Governo dos EUA imprevisível, errático e
atuante em várias frentes geopolíticas,
reforçou o alerta do 1º Ministro do Canadá:
"A era de uma ficção confortável chegou ao fim, e começou uma realidade brutal." (...) "Se não estivermos à mesa, estaremos no menu."
Ao nível da economia global, o mês foi marcado pelos seguintes fatores e acontecimentos:
EUA: PIB desacelerou de 4,4% para 1,4% QoQ anualizado no 4Q 25 (devido ao encerramento do governo). O PCE (medida de inflação predileta da Fed) de dezembro subiu para 2,9% YoY (para máximos desde março 24). Mercado de trabalho recuperou em janeiro (aumento da criação de emprego e descida na taxa de desemprego para 4,3%).
ZONA EURO: a inflação de janeiro recuou para1,7% YoY (mínimo desde set.24). O PMI Industrial subiu de 49,5 para 50,8 pontos em fevereiro, sinalizando o regresso da atividade industrial à expansão.
CHINA: o em janeiro, o IPC recuou de 0,8% para 0,2% YoY, mantendo as pressões desinflacionistas. O IPP recuou de -1,9% para -1,4% YoY.
O acompanhamento da evolução dos mercados financeiros, a par da diversificação de investimentos, é um pilar base para a construção de uma carteira de investimentos adequada. Saiba resumidamente o que marcou os diferentes mercados este mês.
AÇÕES: preocupações com o potencial disruptivo da IA, o regresso da incerteza com as tarifas, o escalar das tensões entre os EUA e o Irão, fizeram as ações dos EUA (concentradas em tecnologia) deslizar em março. Onde nem uma forte earnings season, conseguiu inverter o tom de aversão ao risco. Outras bolsas beneficiaram do processo de diversificação para fora dos EUA, com o europeu Stoxx 600 a atingir novos máximos; Tóquio a subir mais de 10% MoM, na sequência do reforço das expetativas com as políticas expansionistas do governo pós eleições legislativas.
OBRIGAÇÕES: a dívida pública de mercados desenvolvidos tiveram um retorno positivo em fevereiro, com a respetiva descida das yields (com o Treasury 10Y a fechar o mês abaixo dos 4%). Este movimento deveu-se à procura de ativos de qualidade face aos receios dos investidores já acima referidos nas ações, mesmo com os receios de uma inflação alta e persistente nos EUA. Apesar do aumento dos riscos geopolíticos, a dívida em moeda local dos mercados emergentes manteve o seu bom desempenho.
CÂMBIOS: o dólar inverteu a tendência de desvalorização face ao euro apoiado por uma minutas da Fed mais hawkish; pelo aumento das tensões EUA/Irão. receios com a IA e tarifas que fizeram aumentar a procura por ativos de refúgio.
MATÉRIAS-PRIMAS: voltaram a subir em fevereiro. O ouro, após a elevada correção no final de janeiro, subiu cerca de 8% MoM, sendo considerado um ativo de refúgio. O aumento dos níveis de inventário nos EUA pressionou o petróleo, que também subiu face à escalada das tensões no Médio Oriente no final do mês.
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